Não pára de aumentar o número de espécies em risco de extinção. A última Lista Vermelha põe a América do Norte e do Sul como os continentes mais ameaçados. Na Europa, Portugal ocupa os lugares de topo pelos piores motivos
Entre 2000 e 2019, o número de espécies em risco de extinção mais do que duplicou, aumentando de 11 mil para mais de 28 mil
A avaliação da Lista Vermelha está dividida em três categorias: “vulnerável” (VU), porque enfrenta um risco de extinção na natureza elevado; “em perigo” (EN), quando o risco de extinção na natureza é muito elevado; e “criticamente em perigo” (CR), quando o risco éextremamente elevado.

A Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) divulgou, a 18 de Julho de 2019, que mais de 28 mil espécies estão ameaçadas de extinção, incluindo 40% de anfíbios, 34% de coníferas, 33% de corais de recife, 25% de mamíferos e 14% de aves. Dos 1,7 milhões de espécies já identificadas, a Lista Vermelha avaliou o risco de extinção de quase 105 mil. As espécies ameaçadas estão divididas em três categorias: “vulnerável” (VU), “em perigo” (EN), e “criticamente em perigo” (CR).

Existindo desde 1964, a IUCN tornou-se a fonte de informação mais abrangente de informação do mundo sobre o estado global de conservação de espécies de animais, fungos e plantas. Mede a saúde da biodiversidade mundial, sendo “uma ferramenta importante para informar e promover acções para a conservação da biodiversidade e a mudança de políticas fundamentais para proteger os recursos naturais”. Recolhe dados sobre as ameaças, habitats ou o número de espécimes numa população, ajudando a orientar as decisões de conservação. Em 2020, a Lista Vermelha pretende chegar às 160 mil espécies avaliadas. A perda de habitats, sobrexploração de recursos e alterações climáticas são algumas das ameaças às espécies
Águia-imperial-ibérica
Aquila adalberti
Ave de rapina de grande envergadura, habita exclusivamente na Península Ibérica. Em Portugal, o estado de conservação da águia-imperial-ibérica continua a estar “criticamente em perigo”: só existem 17 casais. Esta pequena população depende de medidas para mitigar o impacto de ameaças como o envenenamento, perseguição directa, nomeadamente através do abate, pilhagem, destruição de ninhos e perturbação dos locais de nidificação

Saramugo
Anaecypris hispanica
É um dos peixes de água doce mais ameaçados da Península Ibérica. Tem cerca de seis centímetros de comprimento e a sua dieta baseia-se em pequenos invertebrados, podendo ingerir também plantas e detritos. As principais ameaças à sua conservação são a perda e degradação do habitat provocadas pela construção de barragens e açudes, a poluição, a extracção de inertes ou a captação de água

Lobo-ibérico
Canis lupus signatus
Habita o Norte de Portugal junto ao rio Douro e vive em alcateias com uma forte organização hierárquica. A escassez de recursos alimentares, nomeadamente a ausência de presas na natureza, em conjunto com as poucas áreas de refúgio e a mortalidade provocada pelo humanos são os principais factores para que este mamífero esteja em regressão

Lince-ibérico
Lynx pardinus
“Criticamente em perigo” até 2015, o lince-ibérico é agora considerado “em perigo”, embora continue a ser a espécie de felino mais ameaçada do mundo e o carnívoro em maior perigo na Europa. A reprodução em cativeiro e os programas de reintrodução na natureza, em Portugal e Espanha, têm aumentado o seu número

Notícia – Público